Receita #6
Bom, era previsto que o hiato viesse quando a enxurrada natural da vida me cobrisse no pós-carnaval, mas foi além do que imaginei. Em meio a doenças familiares, precisei adiantar minhas férias e passá-las em hospitais acompanhando meu pai e todos os planos de testes culinários - entre otras cosítas - foi todo por água abaixo.
Pra não dizer que não testei nada, descobri uma receita bacaníssima de um pão integral - que ainda pretendo testar e explorá-la mais depois - e de um bolinho de banana que foi, até então, o melhor que já comi. Antes de trazê-lo, quero comentar umas coisas que aconteceram nessa peregrinação hospitalar dos últimos tempos.
Uma coisa curiosa aconteceu: eu comi bem em todo o período (aproximadamente 23 dias) enquanto estava fora. E por bem, digo enquanto uma pessoa com problemas alimentares e comorbidades. Tudo que eu evitava comer em casa por não gostar, comi, e pra minha surpresa, gostei de muitas delas. Com um forçado tempo livre onde não podia sair pra lugar nenhum e tinha apenas uma cadeira, frio e tempo à frente, fui obrigada a refletir o que diabos tinha acontecido com minhas limitações alimentares. Desde quando eu comia feijão sem me arrepiar inteira? E quando foi que achei uma delícia carne de porco, coisa que evitava fortemente comer antes? E quando foi que gelatina de uva passou a ser a melhor a melhor sobremesa de todos os tempos? E uma papa quentinha pela manhã além de uma sopa resto de almoço pela noite serem a melhor forma de iniciar e finalizar um dia? Minha teoria é que o cérebro se programa a se adaptar na limitação, na mudança brusca de rotina. O meu desafio agora é conseguir manter essa reprogramação cerebral e tentar evitar as limitações e compulsões.
E ainda por hospital, conversava diariamente com a minha mãe por telefone e falamos muito sobre como poderíamos todos nós - levando em conta que o que levou meu pai a uma internação foi complicação diabética - manter uma alimentação mais saudável possível com eventuais lanches com brusca redução de açúcar e ainda tendo meu aniversário no meio disso tudo, cogitamos lanchos alternativos, especialmente pro meu pai nesse momento e quase que numa despedida pra nós duas. E foi assim que cheguei nessa receita de bolo de banana, aqui com adaptações pra o que eu tinha em casa:
── .✦ INGREDIENTES:
⋆。 3 e 1/2 bananas maduras e amassadas (300g)
⋆。 3 ovos
⋆。 1/3 de xíc. de óleo vegetal (80ml)
⋆。 1 col. de sopa de vinagre de maçã (15ml)
⋆。 1 col. de chá de canela em pó
⋆。 1 pitada de sal
⋆。 1 xíc. de farelo de aveia (120g)
⋆。 1/2 xícara de cremogema (55g)
⋆。 1 col. de sopa de fermento em pó (15g)
⋆。 1 xíc. de uvas passas (opcional)
── .✦ MODO DE FAZER:
Coloco a bacia em cima da balança (sem esquecer do tare pra zerar o peso da bacia) e vou amassando as bananas num prato com um garfo e colocando na bacia até alcançar as 300g. O que sobrar de banana eu incorporo à massa quando já pronta pra ficar os pedacinhos. Adiciono os ovos e misturo bem seguido do óleo, do vinagre, da canela e do sal. Quando bem misturados, acrescento a aveia, a cremogema e os pedacinhos de banana, caso tenham sobrado, e 1 xíc de uvas passas. Coloco o fermento e incorporo de leve. Nesse ponto a massa se enche de ar e fica leve, uma lindeza.
Ligo o forno em 180ºC e unto a forma com margarina e trigo, coloco a massa e levo pra assar entre 25-35min - colocando o palito pra ver se saiu sequinho.
Com uns 20 minutinhos, eu desenformo.
Levando em conta que não leva açúcar, o bolo fica meio pálido mesmo porque não tem o ingrediente responsável por cristalizar e dar aquela cor dourada típica. Pra dourar um pouco, passo um pouco de manteiga ♡
Recomendo um cházinho de louro com laranja quentinho pra acompanhar o bolo. Nesse friozinho é uma boa pedida.
O estilo de ilustração mudou, seguindo o que consigo fazer, por ora, que é à mão. Espero voltar em breve com mais tempo e disponibilidade de desenhar levinho no computador.